Será que a Internet nos está a tornar estúpidos?

A Internet é o grande centro da sociedade atual. Traz para perto aqueles que estão longe, conecta as pessoas, mantém-nos atualizados ao minuto sobre o que se passa no outro lado do mundo, mas, para além de tudo, a Internet revolucionou as nossas vidas e os nossos hábitos. Mas será mesmo que ela nos está a tornar estúpidos?

Quantas vezes já vos aconteceu estarem a ler um determinado artigo e, passado dois segundos, estão dentro do Youtube a ver o novo hit de verão ou a receber notificações para verem o post no Facebook do vosso vizinho e de repente, quando dão por vocês, já nem sequer sabem o que estavam a ler? A Internet tem constantes distrações, basta lermos uma notícia de um determinado jornal no seu site para, ao longo dela, termos acesso a várias publicidades, a links para vídeos e fotografias, ou até mesmo para outras notícias relacionadas com o tema. Tudo isto provoca danos na nossa capacidade de concentração. Vamos então falar de Nicholas Carr, conhecido por defender que a Internet danifica o nosso cérebro, tendo publicado um livro sobre os efeitos da mesma em nós. Carr refere que estas constantes distrações provocam perdas na capacidade de concentração, de raciocínio e de memória. A verdade é que isto é uma realidade e que muitas vezes nos perdemos no meio de tanta “parafernália” que encontramos apenas, por exemplo, ao ler uma simples notícia.

A Internet transformou a nossa vida de tal forma que, hoje em dia, sofremos do chamado Google Effect. Mas o que é isto? Este efeito traduz-se numa amnésia digital que acontece quando perdemos a capacidade de memorizar informações que sabemos que podemos encontrar num banco de dados digital (os social media, por exemplo). Há uns dias alguém me dizia “Ainda não fui ao Facebook hoje, tenho que ir lá para ver se há alguém que faz anos”. A Internet não nos torna estúpidos, até porque para admitirmos essa realidade teríamos que dizer que o ser humano está a ser dominado pela máquina e isso não é verdade, pois são os nossos conhecimentos que criam e põem as máquinas a funcionar, mas a verdade é que a Internet nos torna preguiçosos. O simples facto de não memorizarmos as datas de aniversário dos nossos familiares ou amigos mais próximos apenas porque o Facebook as retém, revela que nos acomodámos a esta realidade e pensamos que com ela tudo é mais fácil, quando na verdade estamos a criar uma dependência cada vez maior.

Dependência e preguiça: Consequências da Internet

Por falar em dependência, imaginem passar um dia sem o vosso telemóvel. E agora? Como é que vão falar com os vossos amigos nos grupos do Whatsapp e do Messenger? Como é que vão postar a foto do vosso almoço no melhor restaurante da cidade no Instagram ou no Facebook? E pior, como é que vão fazer um direto quando estiverem no trânsito para a ponte? Esta dependência de termos uma constantemente necessidade de partilhar aquilo que estamos a fazer ou o sítio onde estamos pode levar-nos a viver mais para tudo o que constitui o mundo virtual, esquecendo-nos de aproveitar a realidade e, neste aspeto, sou levada a concordar que a Internet nos faz estúpidos.

Para além da dependência, há ainda outro efeito que a Internet provoca em nós, ela torna-nos preguiçosos. Senão vejamos, para quê perdermos tempo a maquilhar-nos e a escolher o outfit perfeito para ir ao cinema com o nosso namorado quando podemos fazer tudo isso em casa, acedendo à Internet? Ou melhor ainda, para quê combinar um café com os amigos quando podemos falar pelo Skype? As relações humanas e o contacto pessoal perderam e continuam a perder, cada vez mais, o seu valor. É verdade que a Internet é imprescindível e sem dúvida que é a grande invenção dos últimos tempos, mas ela não pode reger nem dominar a nossa vida.

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Concluindo esta minha reflexão, penso que a Internet não nos torna estúpidos se a soubermos usar da forma mais adequada e no seu sentido mais útil. Por outro lado, tenho a certeza que ela nos acomoda e torna preguiçosos, por tudo aquilo que já disse. Ela faz também com que percamos capacidades de concentração e de memorização, devido às constantes distrações de que somos alvo. É, por isso, preciso sabermos usar da melhor forma esta realidade que tanto tem para nos dar, mas que também tanto nos pode tirar.


Catarina Freire

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