Social Media: Nada de novo debaixo do sol

O livro de Eclesiastes vem afirmar que não há nada de novo debaixo do sol. Esta passagem bíblica faz-nos concluir que tudo o que existe já foi inventado e que o que pensamos ser novo, afinal já existia. Mas será isto uma realidade?

Recuemos à pré história e ao tempo dos homens das cavernas. Estes ficaram conhecidos pela introdução da primeira (e mais antiga) forma de arte – a pintura rupestre. Para pintar, o homem produzia as suas próprias tintas, misturando terra com carvão,
sangue e gordura de animais. Diz-se que estas pinturas eram feitas por caçadores para desenharem as suas presas e, desta forma, sentirem que tinham um maior domínio sobre elas. Com o tempo, essas pinturas evoluíram para passarem a ser o retrato da vida das pessoas dessa época e começaram a funcionar como forma de guardar memórias, elevando esta arte para uma forma de comunicação, pois essas imagens ficariam guardadas para as gerações futuras e contariam uma história. Hoje em dia, com os social media, nada mudou. Ora vejamos, o  que é o Facebook senão uma parede/muro virtual onde partilhamos e guardamos memórias que ficam armazenadas? A única diferença é que não precisamos de desenhar na parede de uma caverna pois podemos fazê-lo, facilmente, através dos nossos smartphones, por exemplo.

Reforma protestante e primavera árabe: meio milénio de distância e nada mudou

A reforma protestante e a primavera árabe foram dois movimentos que têm 500 anos a distanciá-los mas que, na realidade, tão bem nos podem mostrar como, de facto, não há nada de novo debaixo do sol. Começo por falar da reforma protestante. Este foi um movimento reformista que aconteceu em 1517 quando Martinho Lutero publicou 95 teses, nas quais protestava acerca da doutrina da igreja católica romana. Ele defendia que a salvação divina deveria ser um bem atribuído à nascença, ao contrário da igreja católica romana, que defende uma vida de devoção a Deus para alcançar a salvação. Estas teses foram divulgadas porque Lutero protestava em frente às igrejas e também através dos meios de comunicação (panfletos e xilogramas) que existiam nessa época. Com a propagação destes, Lutero ganhou apoiantes e conseguiu que o protestantismo fosse assegurado como uma religião, o que originou a divisão da Igreja do Ocidente entre católicos romanos e reformados/protestantes. Esta vitória foi alcançada graças aos social media da época, pois o recurso aos mesmos fez com que as pessoas se juntassem a este movimento.

O mesmo veio a acontecer em 2010, com a primavera árabe. Este movimento surgiu quando um cidadão da Tunísia ateou fogo ao próprio corpo como forma de protesto contra as condições de vida no seu país. Este protesto originou um grande alvoroço nos social media (Facebook, por exemplo) e as partilhas aumentaram visivelmente. Com isto, criou-se uma onda de protestos, todos eles partilhados nos social media, o que aumentou o impacto deste movimento e resultou na derrubada de três chefes de Estado: o da Tunísia; o da Líbia; e o do Egipto.

Como se pode perceber, estes dois movimentos estão muito associados pois ambos tiveram impacto e sucesso graças aos social media, que ajudaram a divulgar as revoltas e, consequentemente, a angariar apoio. Estes dois casos ilustram bem o papel importante que estes meios podem ter no sucesso e na divulgação de algo, bem como garantem que são uma forma muito importante de influência. Contudo, os social media não vêm introduzir nada de novo ao mundo, apenas conseguiram melhorar e aprofundar o que já existia, pois a partilha tem mais alcance e é feita de forma mais rápida, acessível e com menos esforço. Estas partilhas trazem benefícios, como foi o caso da reforma protestante e da primavera árabe que, embora tenham uma diferença temporal muito grande, conseguiram ter sucesso graças aos social media e ao bom uso dos mesmos.

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Desta forma, a evolução da espécie humana trouxe consigo a evolução da comunicação e das formas de comunicar, como já deu para entender. Mas a verdade é que a base é sempre a mesma e se refletirmos bem, a maioria das coisas que pensamos serem “novas”, são apenas a recriação ou a melhoria de coisas já antes desenvolvidas. Temos o exemplo já dado da parede, que evoluiu para um mural virtual, não só no Facebook como no Twitter, por exemplo. O conceito é sempre o mesmo, a partilha e armazenamento de informação. Por isso, é mais que aceitável dizer que realmente não há nada de novo debaixo do sol, mas que há sim uma melhoria constante das bases deixadas pelos nossos antepassados, o que é normal e necessário, pois sem progresso, a espécie humana correria o risco de voltar aos tempos primordiais.


Catarina Freire

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